segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Lula vai visitar Cuba, onde Chávez está em internado

DE SÃO PAULO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará para Cuba no dia 28 de janeiro para participar de evento que marca as comemorações dos 160 anos do nascimento do político cubano Jose Martí.
O convite, de acordo com a sua assessoria, foi feito em agosto de 2011
Além do evento, está previsto na programação oficial a presença do ex-presidente no lançamento do livro "Os Últimos Soldados da Guerra Fria", de Fernando Morais.
Antes da viagem, Lula terá uma reunião com a presidente Dilma Rousseff. A Folha informou neste final de semana que o petista em demonstrado preocupação com o desempenho do governo e seus reflexos sobre o projeto de poder do PT.
Na avaliação do petista, segundo interlocutores, Dilma precisa "destravar" sua administração, entre outras razões para segurar sua alta popularidade em um ano desafiador como 2013.

CHÁVEZ
Em Cuba, Lula pode se encontrar com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. No entanto, a visita ainda não está definida, de acordo com a assessoria do petista.
Chávez, 58 anos, está internado em Havana desde o ano passado. No dia 11 de dezembro, ele submeteu-se a uma cirurgia de câncer. Desde então, ele não foi mais visto e nem ouvido pelo público, o que aumenta os rumores sobre a sua saúde --e sobre se ele vai conseguir regressar ao país e assumir o novo mandato que ganhou em outubro.
A posse de Chávez foi adia indefinidamente pelo Tribunal Supremo de Justiça.
Também não está definido um encontro entre Lula e os irmãos Fidel e Raul Castro.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Com Lula ou Dilma, PT hoje venceria no primeiro turno
FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

Se a eleição presidencial fosse hoje, o PT teria dois nomes com chance de vencer no primeiro turno. Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva têm no momento mais intenções de voto do que todos os possíveis adversários somados, aponta pesquisa Datafolha feita na quinta-feira.
Dilma vai de 53% a 57%, conforme o cenário. Lula teria 56% se disputasse a Presidência. No Brasil, vence no primeiro turno o candidato que tem mais da metade dos votos válidos. O PT ganhou três disputas para o Planalto (2002, 2006 e 2010), mas só no segundo turno.
O Datafolha ouviu 2.588 pessoas em 160 cidades no dia 13. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Embora os percentuais de Dilma e de Lula sejam equivalentes na pesquisa estimulada (quando o entrevistado escolhe um nome a partir de uma lista), a situação muda no levantamento espontâneo.
Na pesquisa sem estímulo de nomes, Dilma recebe 26% das preferências.
Com menos da metade, mas isolado em segundo, vem Lula, com 12%. Há também 1% cuja preferência é "PT" ou "vai votar no PT". O petismo somado recebe 39% de intenções de voto espontâneas segundo o Datafolha.
Os candidatos de oposição têm percentuais modestos no levantamento espontâneo. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) registra 3%. Os também tucanos José Serra e Geraldo Alckmin têm
2% e 1%, respectivamente. Marina Silva (sem partido) aparece com 1%. Outros 46% não responderam.
Quando o Datafolha pergunta sugerindo cenários, os percentuais de todos os possíveis candidatos aumentam. Foram testadas quatro listas, sendo três com Dilma e uma com Lula. Os petistas vencem em todas.
Editoria de Arte/Folhapress
Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria? Resposta estimulada e única, em %CENÁRIOS DA SUCESSÃO PRESIDENCIAL
JOAQUIM BARBOSA
Uma novidade na pesquisa foi o nome de Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, relator do julgamento do mensalão.
Barbosa pontua 9% quando a candidata do PT é Dilma. Ele empata tecnicamente, na margem de erro, com Aécio Neves, que fica com 11%.
Se Barbosa é testado num cenário no qual Lula é o candidato do PT, o presidente do STF registra 10% de intenções de voto. Aécio fica com 9%.
AÉCIO NEVES
Principal nome tucano para 2014, Aécio ainda tem um desempenho tímido.
O melhor percentual de Aécio é quando estão na lista só Dilma, Marina e ele. Aí o senador do PSDB registra 14%. Dilma lidera nessa hipótese, com 57%. Marina marca 18%.
Quando o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, aparece também como candidato, ele subtrai votos de Aécio. Campos fica com 4%. Aécio desce para 12%. Dilma segue liderando, com 54%. Marina não se move e mantém 18%.
MARINA SILVA
Uma surpresa na pesquisa Datafolha é a resistência de Marina Silva. Ela concorreu a presidente em 2010 pelo PV e teve votação expressiva (19,3%), mas saiu do partido e reduziu sua presença na mídia nos últimos dois anos.
Ainda assim, Marina aparece como segunda colocada na disputa para 2014, com percentuais variando de 13% a 18%. Manteve seu patrimônio eleitoral sem ter se dedicado a atividades partidárias.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Em Paris, Lula fala em candidatura e critica a imprensa (Postado por Lucas Pinheiro)

PARIS - Protegido por um forte esquema de segurança, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou pública e longamente nesta quarta-feira pela primeira vez, desde as novas denúncias de Marcos Valério que o envolvem diretamente no esquema do mensalão. E, um dia após a revelação do conteúdo do depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público, o ex-presidente afirmou que, se um dia voltar a ser candidato, quer o voto dos empresários. Ressaltou que os empresários não votaram nele por “medo”, mas que nunca ganharam tanto dinheiro como em seu governo.

- Espero que um dia, se voltar a ser candidato, eu tenha o voto deles - afirmou.


Na palestra, dedicou-se, porém, a discorrer sobre a crise econômica mundial, no Fórum pelo Progresso Social, em Paris. No final de sua apresentação de uma hora e 20 minutos, fez, aparentemente, uma referência ao destaque que a imprensa vem dando ao recente depoimento de Valério à Procuradoria Geral da República:

- Quando político é denunciado, a cara dele sai nos jornais. Sabe por que banqueiro não aparece? Porque é ele quem paga a publicidade dos jornais - afirmou.

Apesar da declaração de Lula - que em seus dois governos propiciou um lucro líquido recorde do setor bancário, de R$ 199 bilhões, numa amostra de nove bancos de 2003 a 2010, em valores corrigidos para 2011 -, o país já presenciou a punição de banqueiros em casos amplamente divulgados pela mídia.

Um deles envolveu Ângelo Calmon de Sá, ex-dono do Econômico, em 1995, quando o Banco Central decretou intervenção na instituição. Em 2007, a Justiça Federal condenou o banqueiro a 13 anos e quatro meses de prisão por crime contra o sistema financeiro. Em 2000, foi preso Salvatore Cacciola, ex-dono do Marka, socorrido pelo Banco Central em 1999. Cacciola fugiu para Roma, mas acabou preso novamente em 2007 e deportado. Em 2006, Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos, foi preso com o filho após serem condenados a 21 e a 16 anos de prisão, respectivamente, por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. E em 2008, Daniel Dantas, dono do Opportunity, foi detido por supostos crimes financeiros e tentativa de subornar um delegado federal da Operação Satiagraha.

Lula também fez um resumo dos seus oito anos de governo. E se desculpou antecipadamente por beber muita água durante a fala:

- Confesso que tenho um problema de tomar muita água. Porque, depois do câncer, tenho um edema na garganta que não está 100% curado. Tomo água exageradamente.

Lula contou um pensamento que teve em 2002, ao subir pela primeira vez a rampa do Palácio do Planalto como presidente:

- Perdi tanta eleição, tanta eleição, que, num dia, o povo brasileiro, com dó de mim, me elegeu. Os meus adversários, sobretudo no campo da sociologia, até votaram em mim. Achavam que eu iria fracassar, e eles poderiam voltar ao poder. Mas a História os enganou. E eu, muito mais.

Okamotto questiona depoimento de Valério

Presente no evento, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, questionou a validade da divulgação do depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público.

- Pelo que eu entendi, essas informações foram obtidas de forma ilegal. Perguntei de onde vieram, e me responderam: “Um jornalista conseguiu lá no Ministério Público”. E como conseguiu? “Ah, uma fonte”. É um material roubado. Se é que existe, foi obtido ilegalmente, e aí não vou ler. Mas se foi dado pelo Ministério Público, vou ler. Se tiver algo relacionado a mim, vou me manifestar no Brasil se for o caso – disse.

Na agenda do ex-presidente Lula ainda constava um jantar com o presidente da Assembleia Nacional francesa, o socialista Claude Bartolone, na noite desta quarta-feira. Na manhã desta quinta-feira Lula viajará para Barcelona, onde receberá o Prêmio Internacional Catalunha 2012 pela política de crescimento econômico justo de seu governo frente à globalização, dotado de € 80 mil. À noite, o ex-presidente embarcará de volta para o Brasil.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

'Por onde ele anda, é ovacionado', afirma ministro em defesa de Lula


 
FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA
 
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) defendeu nesta terça-feira (4) o governo do ex-presidente Lula e afirmou que a Operação Porto Seguro, que apura esquema de corrupção e tráfico de influência dentro do governo federal.
Entre os investigados na operação estão Rosemary Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo, com quem Lula tinha uma relação íntima.
"Não é o erro de uma ou de outra pessoa que vai atrapalhar esse projeto que está se consolidando como um projeto de um novo país, onde finamente os esquecidos e excluídos são lembrados, são cuidados. Isso não há campanha, não há erro de algumas pessoas que vai apagar", afirmou o ministro após participar de cúpula social do Mercosul, em Brasília.
Alan Marques - 15.ago.12/Folhapress
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) durante evento no Palácio do Planalto
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) durante evento no Palácio do Planalto
Segundo Carvalho, "o Brasil precisava passar pelo que está passando". O ministro destacou que o ex-presidente é "ovacionado" pela população - durante a cerimônia, foi exibido um vídeo com Lula em que ele lamentava a ausência no evento e defendia o bloco formado entre os países da América do Sul.
"O povo brasileiro sabe o que o nosso governo realizou e está realizando. (...) Por onde ele anda, ele é endeusado, diferente de outros. Porque nós lutamos com amor pelo país.
O ministro disse que o governo continua "de cabeça erguida". "Eu tenho um orgulho absoluto do presidente Lula."
"Por onde eu ando, eu vejo o nosso presidente Lula reconhecido e amado pelo povo. Para mim isso é o que conta. É a nossa sintonia com o povo", disse.

FHC
Questionado sobre declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Gilberto Carvalho fez críticas à gestão tucana. Os dois têm trocado farpas diante da investigação da operação Porto Seguro.
"Muito mais do que no passado, os erros vêm a tona. Aquilo que era colocado embaixo do tapete ou morria numa gaveta de uma procuradoria, agora não morre mais", alfinetou Carvalho. Para o ministro, agora a "corrupção velha" está aparecendo.
"O governo dele não foi isso que ele está dizendo que foi." "Eu tenho respeito por ele, pela historia dele, [mas] não posso ter respeito pelos erros que foram cometidos no governo dele", completou.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Em Moçambique, Lula refere-se à eleição de Dilma como o ‘milagre’ que lhe deu ‘orgulho’



Em seu périplo africano, Lula fez nesta segunda-feira (19) uma palestra na cidade de Maputo, em Moçambique. Falou sobre a política social do seu governo. Na plateia, representantes de ONGs, gestores públicos, executivos de empresas e militantes da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique).
Evocando as diferenças que separam o Brasil de Moçambique, Lula preocupou-se em esclarecer que não era portador de uma receita pronta. “Tudo que eu falar aqui é em função da realidade econômica do Brasil, da realidade política e do potencial do Brasil”, disse.
Lula detalhou o funcionamento do Bolsa Família e, no melhor estilo “nunca antes na história”, deu a entender que, antes dele, o Brasil não sabia o que era investimento social. “Nós começamos a incluir os pobres no orçamento. O Bolsa Família, que atende 50 milhões de pessoas, custa apenas 0,5% do PIB brasileiro.”
Ao final da palestra, Lula referiu-se à vitória de Dilma Rousseff, na sucessão de 2010, como resultado de dois fenômenos: o êxito do seu governo e o auxílio do Padre Eterno. “Todos os sucessos do nosso governo resultaram em um milagre. O nosso país, com muito preconceito, elegeu pela primeira vez uma mulher para presidenta da República do Brasil. Foi a tarefa que me deu mais orgulho.”
Acrescnetou: “Os adversários falavam que ela era um poste, que não entendia nada de política. Pois bem, o nosso poste hoje está iluminando o Brasil.”
Lula foi apresentado ao auditório por Graça Machel. Vem a ser a atual mulher do líder sulafricano Nelson Mandela e viúva de Samora Machel (1933-1986) –um militar moçambicano que liderou uma revolução de inspiração socialista e presidiu Moçambique entre 1975 e 1986, ano em que morreu num acidente aéreo.
Graça (na foto) disse aos presentes que Lula é “símbolo […] de sucesso em uma sociedade desigual.” Ela açulou o ego do palestrante: “Nós vimos sua capacidade de tornar a sociedade menos desigual, de criar milhões de empregos, fazendo milhões de cidadãos saírem da pobreza, promovendo desenvolvimento e o fortalecimento da classe média.”

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Lula recebe prêmio Nelson Mandela de Direitos Humanos

Premiação reconhece contribuição do ex-presidente para a inclusão social e o combate à fome

06 de novembro de 2012 | 18h 05
José Maria Tomazela, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta terça-feira, 6, o prêmio Nelson Mandela de Direitos Humanos, concedido pela Canadian Auto Workers (CAW), a Associação Canadense de Trabalhadores da Indústria Automotiva. A entrega ocorreu na sede da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A entidade canadense mantém relações de correspondência com a brasileira Central Única dos Trabalhadores (CUT). Lula participou da abertura da Conferência Nacional de Negociação Coletiva Metalúrgica e discursou no evento.
Ex-presidente Lula recebe prêmio Nelson Mandela de Direitos Humanos - Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Ex-presidente Lula recebe prêmio Nelson Mandela de Direitos Humanos

Durante a entrega, foi apresentado um vídeo com saudação do presidente nacional da CAW, Ken Lewenza, para quem o prêmio é um reconhecimento à contribuição do ex-presidente do Brasil para a inclusão social e o combate à fome. "Você deu enorme esperança a todos nós, mundo afora, mostrando que há alternativas ao modelo conservador de tantos governos hoje em dia", diz Lewenza na gravação. Lula também discursou no evento. O prêmio, oferecido a cada três anos a uma personalidade mundial, foi concedido a Lula em agosto deste ano. Como a agenda do ex-presidente não permitiu a viagem ao Canadá, a entrega foi transferida para a cidade onde Lula reside.

Tópicos: Lula, Prêmio

domingo, 28 de outubro de 2012


Como Haddad foi escolhido por Lula para ser o novo prefeito de São Paulo

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo Mil duzentas e quarenta e seis páginas com anotações feitas a lápis desapareceram...

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo
Mil duzentas e quarenta e seis páginas com anotações feitas a lápis desapareceram na Universidade de São Paulo (USP). De tão detalhados, os apontamentos escritos na margem de cada folha, dos dois lados, pareciam fazer parte do livro Economia e Sociedade , de Max Weber, que sumiu na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Fernando, fã de Paul McCartney e dono do livro, chegou em casa inconformado. "Estela, roubaram o meu Weber. É inacreditável! Todas as minhas anotações viraram pó", disse ele para a mulher. "Roubaram? Mas onde estava o livro?", insistiu Estela, curiosa. "No estacionamento. Dentro do carro", respondeu Fernando, de supetão. Sem entender nada, ela prosseguiu o interrogatório. "E o que aconteceu com o carro? " A conclusão foi lógica: "Ué, roubaram também".
O Fernando do livro é Fernando Haddad, novo prefeito de São Paulo. O "Santana" velho de guerra de "Dandão", seu apelido na juventude, foi furtado em 1995, época do doutorado em Filosofia, na USP. Dezessete anos depois, porém, ele só se lembra das anotações perdidas naquela edição especial da Fondo de Cultura Económica. "Você não tem ideia do que é ler aquele livro inteiro e anotar...", diz o ex-ministro da Educação, professor licenciado de Teoria Política na USP. Ana Estela, casada com Haddad há 24 anos, já está acostumada com essas divagações. "Ele não liga para coisas materiais. Essa parte é comigo. "
Escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para representar a nova geração do PT, pós-mensalão, Haddad agora só tem tempo para ler relatórios sobre São Paulo. "Comprei na Bienal aquele livro do Mandela, mas está no meu criado-mudo. Confesso que durmo a cada cinco páginas", afirma, rindo, o filho de imigrante libanês
Foi às margens do Lago Paranoá, em Brasília, que começou a ser desenhada a candidatura de Haddad, um calouro na política, a exemplo da presidente Dilma Rousseff. A conversa que selou o destino do então ministro da Educação ocorreu num almoço no Gazebo, especializado em comida francesa, em março de 2011. Os emissários de Lula foram o presidente do PT paulista, Edinho Silva, o vice-presidente do partido, Rafael Marques, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, e o vereador Alfredinho (PT). "O chefe mandou construir a sua candidatura. E aí, você topa?", perguntou Marinho. "Eu topo. Estou à disposição", respondeu Haddad. "Então, vamos discutir as tarefas que você tem de executar. Vamos montar o grupo de apoio para sustentá-lo, mas a liderança tem de ser sua. " Com os tradicionais nomes do PT desgastados, muitos fora de combate desde o escândalo do mensalão, em 2005, Lula fazia planos para Haddad havia algum tempo. Chamava-o de "menino de ouro" e chegou a sondá-lo para concorrer ao governo paulista, em meados de 2009, quando já articulava a candidatura de Dilma à Presidência. "Mas eu ainda não tinha encerrado o meu ciclo em Brasília", diz o candidato.
A crise do mensalão foi o passaporte de Haddad para o comando do Ministério da Educação (MEC), em 29 de julho de 2005. Foi nesse dia que ele assumiu a cadeira de Tarso Genro, convocado às pressas por Lula para presidir o PT, que teve a cúpula dizimada. "Meu filho, mas você aceitou ser ministro com o governo nessas circunstâncias?", indagou dona Norma, mãe de Haddad, preocupada com a nomeação. "Mãe, se não fossem essas as circunstâncias, nunca me ofereceriam o ministério", reconheceu ele.
No fim de 2010, com Dilma já eleita, Haddad estava de malas prontas para retornar a São Paulo, decidido a entregar o cargo, quando Lula fez a proposta que mudou sua vida. "Eu pensei no Fernando como pensei na Dilma. Eu disse a ele: o PT precisa de um nome novo, com um perfil como o seu, para atrair a classe média e ser candidato a prefeito de São Paulo", conta o ex-presidente.
Haddad se entusiasmou, mas expôs uma dúvida: "Há espaço no PT para discutir essa tese? " Lula admite que "não foi uma tarefa fácil" convencer o partido a aceitar o pupilo e, por isso, pediu ajuda a Marinho. "Diziam para mim: 'Ele nem cumprimenta a gente'. Eu respondia: 'Ele é tímido'. "
Apesar de filiado ao PT desde 1983, Haddad não era da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), do próprio Lula e de José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil e réu do mensalão. Além disso, havia assinado, em 2005, um manifesto do grupo Mensagem ao Partido, liderado por Tarso, pregando a "refundação" do PT, na esteira da crise. "Foi aquele terremoto político que desencadeou a renovação de quadros no PT", comenta Tarso, hoje governador do Rio Grande do Sul.
Os capítulos seguintes desse enredo tiveram momentos de alta tensão. Favorita nas pesquisas para a sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que chegou a flertar com o PT, a então senadora Marta Suplicy queria ser candidata. Com rejeição na faixa de 30%, foi preterida por Lula, pressionada por Dilma e obrigada a desistir da prévia, que nunca saiu do papel.
Na conversa com ele, em 3 de novembro, Marta chorou. "Eu não entendo, Lula, o que você tem contra mim", desabafou a ex-prefeita.
Os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini e o senador Eduardo Suplicy também se retiraram do páreo, a pedido do ex-presidente. "Quando me chamou, Lula falou assim: 'O Fernando implantou o ProUni e fez excelente trabalho. Para ganhar a classe média, tem de ser bonitinho, são-paulino e uspiano'", recorda Tatto. "Ele achava que os votos da periferia já eram nossos e ninguém contava com Russomanno. Foi o nosso erro. " Magoada, Marta boicotou a campanha por quase dez meses e só foi para as ruas um dia antes de virar ministra da Cultura. Para apoiar Haddad, o deputado Paulo Maluf (PP) - que está na lista de procurados da Interpol - exigiu uma fotografia com Lula, no jardim de sua mansão. Era o preço da aliança, que garantiu ao candidato do PT 1 minuto e 35 segundos na propaganda eleitoral de TV, a perda da deputada Luiza Erundina (PSB) como vice da chapa e uma queda de dois pontos porcentuais nas pesquisas. Erundina desistiu da dobradinha com Haddad 24 horas após o anúncio da coligação com Maluf. "Não preciso ser vice para fazer política", protestou. Presidente do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, abriu mão da vaga para o PC do B de Nadia Campeão, sob o argumento de que a ex-prefeita Erundina era "incontrolável".
Aos 49 anos, Haddad foi "vendido" pela campanha como "o homem novo para um tempo novo". Pesquisas mostraram que as falhas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não colaram nele, mas a foto com Lula e Maluf foi interpretada como a volta do velho coronelismo na política. "Nós fizemos uma cagada", disse Lula depois, a portas fechadas. Marinho admite que, horas antes do almoço na casa de Maluf, em 18 de junho, procurou o ex-presidente na academia onde ele faz reabilitação desde que terminou o tratamento do câncer na laringe. "Ele não queria fazer a foto. Fui porta-voz de um pedido da direção do PT. Fiz e faria novamente", diz o prefeito, candidato à reeleição.
Haddad conquistou Lula ainda em 2004, quando lhe mostrou um esboço do ProUni, programa que concede bolsas de estudo em universidades a alunos carentes. Na época, era secretário executivo na Educação e vinha da assessoria especial do Planejamento, então chefiado por Guido Mantega. Antes, tinha trabalhado com João Sayad na Secretaria de Finanças, na gestão de Marta. "Confesso que achei ruim quando Tarso Genro levou o Haddad para o MEC. Ele ia ser promovido", revela Mantega, hoje ministro da Fazenda. "Dei-lhe a missão de elaborar as Parcerias Público-Privadas e ele conseguiu entregar dentro do prazo um projeto difícil, que funciona bem até hoje. " O candidato do PT odeia atrasos. Na campanha, muitas vezes chegou antes que os aliados aos compromissos. Nem sempre teve a companhia de seus pares e muitos reclamaram de sua falta de traquejo político e do linguajar da academia. Na semana passada, por exemplo, Haddad disse que Russomanno não tinha plano de governo, mas, sim, um "simulacro". Depois, afirmou que a disputa começava a sair da "mornidão" para a fase da empolgação. "Todo mundo tem um Houaiss em casa", devolveu ele, quando questionado sobre o uso de palavras difíceis, numa referência ao dicionário de Antonio Houaiss.
Com 1,83 metro e pinta de galã, Haddad faz sucesso com as mulheres, que não raro trocam o seu sobrenome por "Andrade". Ana Estela confessa ter um pouco de ciúme. "A gente é humano, né? " Além da pontualidade, o petista tem como característica a obsessão por metas. Adquiriu o hábito quando era vendedor da Mercantil Paulista de Tecidos, a loja de seu pai, Khalil, na Rua Comendador Abdo Schahin, paralela à 25 de Março. "Ele saía da Faculdade de Direito, no Largo São Francisco, e ia a pé até lá. Na sobreloja, tinha duas pilhas de livros: uma só aumentava, com aqueles já lidos, e a outra diminuía, com os que tinha de ler", descreve o jornalista Eugênio Bucci, seu amigo e antecessor na presidência do Centro Acadêmico 11 de Agosto, a única eleição que Haddad já disputou. "Eugênio foi o Lula para mim", compara o ex-ministro, ao lembrar que o amigo patrocinou sua candidatura ao 11 de Agosto, em 1985, após o sucesso da chapa The Pravda na diretoria. "Fernando tinha dois ídolos: Karl Marx e Paul McCartney", entrega Bucci, ex-presidente da Radiobrás. Tinha? Até hoje, quando se cansa de assuntos áridos, Haddad surpreende o interlocutor: "Vamos falar de outra coisa. O que você acha de Paul McCartney? ".