terça-feira, 29 de outubro de 2013

Lula recebe homenagem no Senado

         
Em cerimônia que teve direito ao hino nacional na voz da cantora Fafá de Belém, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi homenageado na manhã desta terça-feira, 29, pelo Senado. Ele recebeu a Medalha Ulysses Guimarães, para homenagear os 25 anos da Constituição Federal.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também recebeu a homenagem, lembrou em seu discurso que dispositivos da Constituição ainda precisam ser regulamentados mesmo após 25 anos da promulgação da Carta Magna. Entre os dispositivos, ele citou a regulamentação do direito de greve do servidor público e a autonomia para o Banco Central fixar mandatos para seus diretores.

O peemedebista também fez uma deferência especial aos ex-presidentes José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Lula, esse último por sua "aguda sensibilidade social". O ex-presidente e hoje senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) também seria homenageado, mas não compareceu. FHC, que seria agraciado com a medalha, cancelou sua ida ao evento. Segundo Renan, FHC teve uma diverticulite.

Também receberam a homenagem os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Alvaro Dias (PSDB-PR), José Agripino (DEM-RN), Francisco Dornelles (PP-RJ), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Luiz Henrique (PMDB-SC) e Paulo Paim (PT-RS), o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o ministro de Minas e Energia Edson Lobão e o ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, que colaboraram na elaboração da nova Constituição. (AE)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Lula nega ser candidato e Dilma apressa plebiscito

| 2 de julho de 2013

O ex-presidente Lula disse ontem, em entrevista ao jornal Valor, que a presidenta Dilma Rousseff ainda é a melhor candidata para 2014 e que ela está fazendo tudo direitinho e no tempo certo, ao referir-se ao trato das manifestações de rua dos últimos 20 dias. Por sua vez, Dilma
— A Dilma é a mais importante candidata que nós temos, a melhor. Não tem ninguém igual a ela para ser candidata à Presidência da República. Portanto ela será a minha candidata — ressaltou ele. Sobre a queda da presidenta nas pesquisas, Lula disse que elas não o preocupa poic, como candidato sofreu tombos aoarentemente irreversíveis, a ponto de até ter pensado em renunciar ao páreo:
— Não me preocupa. Se tem um cidadão que já subiu e desceu em pesquisa fui eu. Em 1989 teve um dia no mês de junho que eu queria desistir de ser candidato porque eu tinha caído tanto que ia sair devendo para o Ibope (risos). Então eu cheguei a pensar em desistir porque não tem como eu pagar voto. Só tenho o meu. E depois com tantos figurões disputando a eleição fui eu que fui para o segundo turno.
O ex-presidente, Dilma ainda comentou que Dilma teve uma reação imediata aos protestos de rua e também falou sobre a natureza dos protestos.
— Na medida em que as pessoas vão evoluindo vão querendo mais. Eu acho importante. Eu acho que se as pessoas questionam custo da Copa as pessoas que organizaram, que contrataram tem que mostrar. Não tem nenhum problema fazer esse debate com a sociedade. E é fazendo o debate que você separa o joio do trigo. Quem quer realmente debater, está interessado em fazer coisa séria e aquilo que é justo. Nesse aspecto Dilma tem tido um comportamento importante. De entender o movimento, tentar dialogar com o movimento e construir as propostas possíveis. Se a gente tiver qualquer preocupação com o exercício da democracia é muito ruim.
Clique aqui para o texto da entrevista de Lula, no site de O Globo. 
Por sua vez, a presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (1), em entrevista coletiva durante reunião ministerial na Granja do Torto, que enviará nesta terça-feira (2) ao Congresso Nacional mensagem com a sugestão de plebiscito para a reforma política. Segundo Dilma, o conteúdo sugerido tratará de financiamento de campanha e do padrão eleitoral.
“Uma consulta sobre reforma política não pode ser exaustiva, no sentido de que tenha muitas questões. Porque fica muito difícil fazer a consulta. Acho que, basicamente, não é que serão as únicas sugestões, mas diz respeito ao financiamento das campanhas e ao padrão eleitoral, de voto vigente. Se é proporcional, se é distrital, se é misto”, afirmou Dilma.
A presidenta disse esperar que a reforma tenha validade já no próximo pleito, em 2014. Mas lembrou que a definição depende de consulta feita ao Tribunal Superior Eleitoral, que deve definir o prazo necessário para a organização e a realização do plebiscito. Outro fator, segundo Dilma, é o andamento da matéria na Câmara dos Deputados e do Senado Federal, responsáveis por convocar a votação.
“Do nosso ponto de vista, seria de todo oportuno. Mas nós não temos como definir isso. Depende do prazo que der o Tribunal Superior Eleitoral e, em função desse prazo, que eu não sei qual será, depende do Senado e da Câmara. (…) Eu gostaria muito, para levar em conta toda essa energia que nós vimos nas mobilizações que tivesse efeito sobre a eleição”, explicou.
Sobre as manifestações dos últimos dias, a presidenta disse que existe um desejo de mais participação e por isso o plebiscito é importante, para que haja protagonismo da população, para que o povo seja consultado. Ela afirmou que determinou aos ministros a aceleração da gestão e da execução dos projetos que já estão em andamento. Sobre o gasto público, Dilma afirmou que não haverá redução de gastos na área social.
“A população mais pobre pode ter certeza – o meu governo jamais negociará redução de gasto social. (…) O povo na rua não pediu redução de gasto social e eu não farei. Cortar Bolsa Família, jamais”, disse.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Lula: ‘Dilma tem chance de ganhar no 1º turno’


  • A um ano e meio sucessão presidencial, o padrinho político de Dilma Rousseff avalia que ela vai chegar em posição “muito confortável” a outubro de 2014. Lula chega mesmo a fazer um vaticínio: “Se a gente trabalhar com seriedade, humildade e respeitando nossos adversários e a economia estiver bem, com a inflação controlada e o emprego crescendo, acho que certamente a Dilma tem ampla chance de ganhar no primeiro turno.”
    Lula concedeu uma entrevista às repórteres Vera Brandimarte, Cristiane Agostine e Maria Cristina Fernandes. A conversa está publicada na edução desta quarta-feira (27) do jornal ‘Valor’. No pedaço do dedicado à sucessão, Lula informou que, se Eduardo Campos (PSB) quiser mesmo disputar o Planalto, não pedirá que desista. “Não faz parte da minha índole pedir para as pessoas não se candidatarem porque pediram muito para eu não ser. Se eu não fosse candidato eu não teria ganho.”
    Declara-se animado para a campanha. “Eu quero palanque”, afirma. Ainda rouco, Lula diz que os médicos já o liberaram. Rindo, diz que daria um jeito mesmo se houvesse restrições: “Se eu não puder [falar] eu levo um cartaz dela na mão.” Na montagem dos palanques estaduais, a prioridade do PT será Dilma. “Não podemos permitir que a eleição da Dilma corra qualquer risco. Não podemos truncar nossa aliança com o PMDB.”
    Lula não descarta a hipótese de recandidatar-se em 2018. “Vai que, de repente, eles precisam de um velhinho para fazer as coisas. Não é da minha vontade. Acho que já dei minha contribuição. Mas em política a gente não descarta nada.” Recusou-se a falar sobre o julgamento do mensalão. Só dirá o que pensa depois que forem julgados os recursos dos condenados. Deu de ombros para a notícia sobre as 13 viagens que fez à África e América Latina com despesas pagas por empreiteiras.
    “Se alguém tiver um produto brasileiro e tiver vergonha de vender, me dê que eu vendo. Não tenho vergonha de continuar fazendo isso”, declara, antes de perguntar: “Como é que viaja um Clinton? A serviço de quem? Pago por quem? Fernando Henrique Cardoso?” Acha que “tem pouca gente com autoridade de ganhar dinheiro como eu, em função do governo bem-sucedido que fiz neste país.” Vão abaixo algumas das frases ditas por Lula na entrevista:
    — A saúde depois do câncer: Agora estou bem. Há um ano vou à fisioterapia todos os dias às 6h da manhã. Minha perna agora está 100%. Estou com 84 quilos. É 12 a menos do que já pesei mas é oito a mais do que cheguei a ter. Não tem mais câncer, mas a garganta leva um bom tempo para sarar. […] Quando falo dá muita canseira na voz. Já tenho 67 anos. Não é mais a garganta de uma pessoa de 30 anos.
    — Avaliação sobre Dilma: O Brasil nunca esteve em tão boas mãos como agora. Nunca esse país teve uma pessoa que chegou na Presidência tão preparada como a Dilma. Tudo estava na cabeça dela, diferentemente de quando eu cheguei, de quando chegou Fernando Henrique Cardoso. Você conhece as coisas muito mais teóricas do que práticas. E ela conhecia por dentro. Por isso que estou muito otimista com o sucesso da Dilma e ela está sendo aquilo que eu esperava dela.
    — A insatisfação dos empresários com Dilma: Não creio que haja má vontade dos empresários com a presidente. Passamos por algumas dificuldades em 2011 e 2012 em função das políticas de contração para evitar a volta da inflação. Foi preciso diminuir um pouco o crédito e aí complicou um pouco, mas Dilma tem feito a coisa certa. Agora tem conversado mais com setores empresariais. Acho que os empresários brasileiros, e eu vivi isso oito anos assim como Fernando Henrique também viveu, precisam compreender que uma economia vai ter sempre altos e baixos. […] O importante é não perder de vista o horizonte final. O Brasil está recebendo US$ 65 bilhões de investimento direto. Então não dá para se ter qualquer descrença no Brasil nesse momento. Nunca os empresários brasileiros tiveram tanto acesso a crédito com um juro tão baixo.
    — Otimismo e popularidade: “…Se alguém ainda aposta no fracasso da Dilma, pode começar a quebrar a cara. Ela tem convicção do que quer. Esses dias liguei para ela e disse para tomar cuidado para não passar dos 100% [de aprovação nas pesquisas]. Porque há espaço para ela crescer. Vai acontecer muito mais coisa nesse país ainda. Não adianta torcer para não ter sucesso. Não há hipótese de o Brasil não dar certo.”
    — A aproximação de Eduardo Campos com rivais como José Serra: Minha relação de amizade com Eduardo Campos e com a família dele, que passa pela mãe, pelo avô e pelos filhos, é inabalável, independentemente de qualquer problema eleitoral. Eu não misturo minha relação de amizade com as divergências políticas.
    — A candidature de Eduardo Campos: Acho muito cedo pra falar da candidatura Eduardo. Ele é um jovem de 40 e poucos anos. Termina seu mandato no governo de Pernambuco muito bem avaliado. Me parece que não tem vontade de ser senador da República nem deputado. O que é que ele vai ser? Possivelmente esteja pensando em ser candidato para ocupar espaço na política brasileira, tão necessitada de novas lideranças. Se tirar o Eduardo, tem a Marina que não tem nem partido político, tem o Aécio que me parece com mais dificuldades de decolar. Então é normal que ele se apresente e viaje pelo Brasil e debata. Ainda pretendo conversar com ele. A Dilma já conversou e mantém uma boa relação com ele.
    — A hipótese de Eduardo virar ministro para candidatar-se em 2018: Somente Dilma é quem pode dizer isso. Não tenho procuração nem do Rui Falcão [presidente do PT] nem da Dilma para negociar qualquer coisa. Vou manter minha relação de amizade com Eduardo Campos e minha relação política com ele. Até agora não tem nada que me faça enxergá-lo de maneira diferente da que enxergava um ano atrás. Se ele for candidato vamos ter que saber como tratar essa candidatura. O Brasil comporta tantos candidatos. […] Candidaturas como a do Eduardo e da Marina [Silva] só engrandecem o processo democrático brasileiro. O que é importante é que não estou vendo ninguém de direita na disputa.
    — A especulação de que faria um apelo a Eduardo para não disputar: Não faz parte da minha índole pedir para as pessoas não se candidatarem porque pediram muito para eu não ser. Se eu não fosse candidato eu não teria ganho. Precisei perder três eleições para virar presidente. Eu não pedirei para não ser candidato nem para ele nem para ninguém. A Marina conviveu comigo 30 anos no PT, foi minha ministra o tempo que ela quis, saiu porque quis e várias pessoas pediram para eu falar com ela para não ser candidata e eu disse: ‘Não falo’. Acho bom para a democracia. E precisamos de mais lideranças.
    — José Serra e Aécio Neves: O que acho grave é que os tucanos estão sem liderança. Acho que Serra se desgastou. Poderia não ter sido candidato em 2012. Eu avisei: não seja candidato a prefeito que não vai dar certo. Poderia estar preservado para mais uma. Mas Serra quer ser candidato a tudo, até síndico do prédio acho que ele está concorrendo agora. E o Aécio não tem a performance que as pessoas esperavam dele.
    — A vitória em primeiro turno e a particular ‘se’: Não tem adversário fácil. O que acho é que Dilma vai chegar na eleição muito confortável. Se a gente trabalhar com seriedade, humildade e respeitando nossos adversários e a economia estiver bem, com a inflação controlada e o emprego crescendo, acho que certamente a Dilma tem ampla chance de ganhar no primeiro turno.
    — Comícios X articulações de gabinete: Eu quero palanque. Vou lá ]em Pernambuco], vou em Garanhuns, vou no Rio, São Paulo, na Paraíba, em Roraima…
    — Médicos já liberaram? Já. Se eu não puder eu levo um cartaz dela na mão (risos). Não tem problema. Acho que ela vai montar uma coordenação política no partido e eu não sou de trabalhar bastidores. Eu quero viajar o país.
    — Volta em 2018? Não. Estarei com 72 anos. Está na hora de ficar quieto, contando experiência. Mas meu medo é falar isso e ler na manchete. Não sei das circunstâncias políticas. Vai saber o que vai acontecer nesse país, vai que de repente eles precisam de um velhinho para fazer as coisas. Não é da minha vontade. Acho que já dei minha contribuição. Mas em política a gente não descarta nada.
    — A briga PT X PMDB no Rio: No Rio tem uma coisa engraçada porque nós temos o Pezão [vice de Sérgio Cabral, do PMDB], que é uma figura por quem eu tenho um carinho excepcional. Nesses oito anos aprendi a gostar muito do Pezão, um parceiro excepcional. E tem o Lindbergh Farias, senador do PT]. […]Eu não posso tirar dele o direito de ser candidato. Ele é um jovem talentoso, um encantador de serpentes, como diriam alguns, com uma inteligência acima da média, com uma vontade de trabalhar, como poucas vezes vi na vida. Ele quer ser.
    — Como resolver a encrenca do Rio? Cabe ao partido sempre tratar com carinho, porque nós temos que ter sempre como prioridade o projeto nacional. Ou seja: a primeira coisa é a eleição da Dilma. Não podemos permitir que a eleição da Dilma corra qualquer risco. Não podemos truncar nossa aliança com o PMDB. Acho que o PT trabalha muito com isso e que Lindbergh pode ser candidato sem causar problema. Acho que o Rio vai ter três ou quatro candidaturas e ele, certamente, vai ser uma candidatura forte. Obviamente Pezão será um candidato forte, apoiado pelo governador e pela prefeitura. Na minha cabeça o projeto principal é garantir a reeleição de Dilma. É isso que vai mudar o Brasil.
    — Um nome para São Paulo: Olha, acho que a gente não tem definição de candidato ainda. Você tem Aloizio Mercadante, que na última eleição teve 35% dos votos, portanto ele tem performance razoável. Tem o [Alexandre] Padilha, que é uma liderança emergente no PT, que está em um ministério importante. Tem a Marta [Suplixy] que eu penso que não vai querer ser candidata desta vez. Tem outras figuras novas como o Luiz Marinho, que diz que não quer ser candidato. Tem o José Eduardo Cardozo, que vira e mexe alguém diz que vai ser candidato e você pode construir aliança com outros partidos políticos. Para nós a manutenção da aliança com o PMDB aqui em São Paulo é importante.
    — A possibilidade de apoiar o PMDB em São Paulo: Se tiver um candidato palatável, sim. Nós nunca tivemos tanta chance de ganhar a eleição em São Paulo como agora. A minha tese é a mesma da eleição de Fernando Haddad. Ou seja, alguém que se apresente com capacidade de fazer uma aliança política além dos limites do PT, além dos limites da esquerda. Como é cedo ainda, temos um ano para ver isso. Eu fico olhando as pessoas, vendo o que cada um está fazendo. E pretendo, se o partido quiser me ouvir, dar um palpite.
    — O PSD de Kassab, o PTB e a hegemonia do PSDB:  […] Temos que ter muito critério na escolha [de São Paulo]. A escolha não pode ser em função só da necessidade da pessoa, de ela querer ser. Tem que ser em função daquilo que é importante para construir um leque de aliança maior. Temos que costurar aliança, temos que trazer o PTB, manter o Kassab na aliança e o PMDB. Precisamos quebrar esse hegemonismo dos tucanos aqui em São Paulo, porque eles juntam todo mundo contra o PT. Precisamos quebrar isso. Acho que temos todas as condições.
    — As denúncias pós-aposentadoria: Quando as coisas são feitas de muito baixo nível, quando parecem mais um jogo rasteiro, eu não me dou nem ao luxo de ler nem de responder. Porque tudo o que o Maquiavel quer é que ele plante uma sacanagem e você morda a sacanagem. É que nem apelido: se eu coloco um apelido na pessoa e a pessoa fica nervosa e começa a xingar, pegou o apelido. Se ela não liga, não pegou o apelido. Tenho 67 anos de idade. Já fiz tudo o que um ser humano poderia fazer nesse país.
    — As viagens aos exterior custeadas por empreiteiras: O que faz um presidente da República? Como é que viaja um Clinton? A serviço de quem? Pago por quem? Fernando Henrique Cardoso? Ou você acha que alguém viaja de graça para fazer palestra para empresários lá fora?
    — Autoridade para ganhar dinheiro: Algumas pessoas são mais bem remuneradas do que outras. E eu falo sinceramente: nunca pensei que eu fosse tão bem remunerado para fazer palestra. Sou um debatedor caro. E tem pouca gente com autoridade de ganhar dinheiro como eu, em função do governo bem-sucedido que fiz neste país. Contam-se nos dedos quantos presidentes podem falar das boas experiências administrativas como eu.
    — Caixeiro viajante e a pena de Fernando Henrique: Viajo para vender confiança. Adoro fazer debate para mostrar que o Brasil vai dar certo. Compre no Brasil porque o país pode fazer as coisas. Esse é o meu lema. Se alguém tiver um produto brasileiro e tiver vergonha de vender, me dê que eu vendo. Não tenho nenhuma vergonha de continuar fazendo isso. Se for preciso vender carne, linguiça, carvão, faço com maior prazer. Só não me peça para falar mal do Brasil que eu não faço isso. Esse é o papel de um político que tem credibilidade. Foi assim que ganhei a Olimpíada, a Copa do Mundo. […] Você sabe que eu fico com pena de ver uma figura de 82 anos como o Fernando Henrique Cardoso viajar falando que o Brasil não vai dar certo. Fico com pena.
    — O mensalão: Não vou falar por uma questão de respeito ao Poder Judiciário. O partido fez uma nota que eu concordo. Vou esperar os embargos infringentes. Quando tiver a decisão final vou dar minha opinião como cidadão. Por enquanto vou aguardar o tribunal. Não é correto, não é prudente que um ex-presidente fique dizendo ‘Ah, gostei de tal votação’, ‘tal juiz é bom’. Não vou fazer juízo de valor das pessoas. Quando terminar a votação, quando não tiver mais recursos vou dizer para você o que é que eu penso do mensalão.

    segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

    Lula vai visitar Cuba, onde Chávez está em internado

    DE SÃO PAULO

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará para Cuba no dia 28 de janeiro para participar de evento que marca as comemorações dos 160 anos do nascimento do político cubano Jose Martí.
    O convite, de acordo com a sua assessoria, foi feito em agosto de 2011
    Além do evento, está previsto na programação oficial a presença do ex-presidente no lançamento do livro "Os Últimos Soldados da Guerra Fria", de Fernando Morais.
    Antes da viagem, Lula terá uma reunião com a presidente Dilma Rousseff. A Folha informou neste final de semana que o petista em demonstrado preocupação com o desempenho do governo e seus reflexos sobre o projeto de poder do PT.
    Na avaliação do petista, segundo interlocutores, Dilma precisa "destravar" sua administração, entre outras razões para segurar sua alta popularidade em um ano desafiador como 2013.

    CHÁVEZ
    Em Cuba, Lula pode se encontrar com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. No entanto, a visita ainda não está definida, de acordo com a assessoria do petista.
    Chávez, 58 anos, está internado em Havana desde o ano passado. No dia 11 de dezembro, ele submeteu-se a uma cirurgia de câncer. Desde então, ele não foi mais visto e nem ouvido pelo público, o que aumenta os rumores sobre a sua saúde --e sobre se ele vai conseguir regressar ao país e assumir o novo mandato que ganhou em outubro.
    A posse de Chávez foi adia indefinidamente pelo Tribunal Supremo de Justiça.
    Também não está definido um encontro entre Lula e os irmãos Fidel e Raul Castro.

    domingo, 16 de dezembro de 2012

    Com Lula ou Dilma, PT hoje venceria no primeiro turno
    FERNANDO RODRIGUES
    DE BRASÍLIA

    Se a eleição presidencial fosse hoje, o PT teria dois nomes com chance de vencer no primeiro turno. Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva têm no momento mais intenções de voto do que todos os possíveis adversários somados, aponta pesquisa Datafolha feita na quinta-feira.
    Dilma vai de 53% a 57%, conforme o cenário. Lula teria 56% se disputasse a Presidência. No Brasil, vence no primeiro turno o candidato que tem mais da metade dos votos válidos. O PT ganhou três disputas para o Planalto (2002, 2006 e 2010), mas só no segundo turno.
    O Datafolha ouviu 2.588 pessoas em 160 cidades no dia 13. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
    Embora os percentuais de Dilma e de Lula sejam equivalentes na pesquisa estimulada (quando o entrevistado escolhe um nome a partir de uma lista), a situação muda no levantamento espontâneo.
    Na pesquisa sem estímulo de nomes, Dilma recebe 26% das preferências.
    Com menos da metade, mas isolado em segundo, vem Lula, com 12%. Há também 1% cuja preferência é "PT" ou "vai votar no PT". O petismo somado recebe 39% de intenções de voto espontâneas segundo o Datafolha.
    Os candidatos de oposição têm percentuais modestos no levantamento espontâneo. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) registra 3%. Os também tucanos José Serra e Geraldo Alckmin têm
    2% e 1%, respectivamente. Marina Silva (sem partido) aparece com 1%. Outros 46% não responderam.
    Quando o Datafolha pergunta sugerindo cenários, os percentuais de todos os possíveis candidatos aumentam. Foram testadas quatro listas, sendo três com Dilma e uma com Lula. Os petistas vencem em todas.
    Editoria de Arte/Folhapress
    Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria? Resposta estimulada e única, em %CENÁRIOS DA SUCESSÃO PRESIDENCIAL
    JOAQUIM BARBOSA
    Uma novidade na pesquisa foi o nome de Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, relator do julgamento do mensalão.
    Barbosa pontua 9% quando a candidata do PT é Dilma. Ele empata tecnicamente, na margem de erro, com Aécio Neves, que fica com 11%.
    Se Barbosa é testado num cenário no qual Lula é o candidato do PT, o presidente do STF registra 10% de intenções de voto. Aécio fica com 9%.
    AÉCIO NEVES
    Principal nome tucano para 2014, Aécio ainda tem um desempenho tímido.
    O melhor percentual de Aécio é quando estão na lista só Dilma, Marina e ele. Aí o senador do PSDB registra 14%. Dilma lidera nessa hipótese, com 57%. Marina marca 18%.
    Quando o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, aparece também como candidato, ele subtrai votos de Aécio. Campos fica com 4%. Aécio desce para 12%. Dilma segue liderando, com 54%. Marina não se move e mantém 18%.
    MARINA SILVA
    Uma surpresa na pesquisa Datafolha é a resistência de Marina Silva. Ela concorreu a presidente em 2010 pelo PV e teve votação expressiva (19,3%), mas saiu do partido e reduziu sua presença na mídia nos últimos dois anos.
    Ainda assim, Marina aparece como segunda colocada na disputa para 2014, com percentuais variando de 13% a 18%. Manteve seu patrimônio eleitoral sem ter se dedicado a atividades partidárias.


    quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

    Em Paris, Lula fala em candidatura e critica a imprensa (Postado por Lucas Pinheiro)

    PARIS - Protegido por um forte esquema de segurança, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou pública e longamente nesta quarta-feira pela primeira vez, desde as novas denúncias de Marcos Valério que o envolvem diretamente no esquema do mensalão. E, um dia após a revelação do conteúdo do depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público, o ex-presidente afirmou que, se um dia voltar a ser candidato, quer o voto dos empresários. Ressaltou que os empresários não votaram nele por “medo”, mas que nunca ganharam tanto dinheiro como em seu governo.

    - Espero que um dia, se voltar a ser candidato, eu tenha o voto deles - afirmou.


    Na palestra, dedicou-se, porém, a discorrer sobre a crise econômica mundial, no Fórum pelo Progresso Social, em Paris. No final de sua apresentação de uma hora e 20 minutos, fez, aparentemente, uma referência ao destaque que a imprensa vem dando ao recente depoimento de Valério à Procuradoria Geral da República:

    - Quando político é denunciado, a cara dele sai nos jornais. Sabe por que banqueiro não aparece? Porque é ele quem paga a publicidade dos jornais - afirmou.

    Apesar da declaração de Lula - que em seus dois governos propiciou um lucro líquido recorde do setor bancário, de R$ 199 bilhões, numa amostra de nove bancos de 2003 a 2010, em valores corrigidos para 2011 -, o país já presenciou a punição de banqueiros em casos amplamente divulgados pela mídia.

    Um deles envolveu Ângelo Calmon de Sá, ex-dono do Econômico, em 1995, quando o Banco Central decretou intervenção na instituição. Em 2007, a Justiça Federal condenou o banqueiro a 13 anos e quatro meses de prisão por crime contra o sistema financeiro. Em 2000, foi preso Salvatore Cacciola, ex-dono do Marka, socorrido pelo Banco Central em 1999. Cacciola fugiu para Roma, mas acabou preso novamente em 2007 e deportado. Em 2006, Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos, foi preso com o filho após serem condenados a 21 e a 16 anos de prisão, respectivamente, por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. E em 2008, Daniel Dantas, dono do Opportunity, foi detido por supostos crimes financeiros e tentativa de subornar um delegado federal da Operação Satiagraha.

    Lula também fez um resumo dos seus oito anos de governo. E se desculpou antecipadamente por beber muita água durante a fala:

    - Confesso que tenho um problema de tomar muita água. Porque, depois do câncer, tenho um edema na garganta que não está 100% curado. Tomo água exageradamente.

    Lula contou um pensamento que teve em 2002, ao subir pela primeira vez a rampa do Palácio do Planalto como presidente:

    - Perdi tanta eleição, tanta eleição, que, num dia, o povo brasileiro, com dó de mim, me elegeu. Os meus adversários, sobretudo no campo da sociologia, até votaram em mim. Achavam que eu iria fracassar, e eles poderiam voltar ao poder. Mas a História os enganou. E eu, muito mais.

    Okamotto questiona depoimento de Valério

    Presente no evento, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, questionou a validade da divulgação do depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público.

    - Pelo que eu entendi, essas informações foram obtidas de forma ilegal. Perguntei de onde vieram, e me responderam: “Um jornalista conseguiu lá no Ministério Público”. E como conseguiu? “Ah, uma fonte”. É um material roubado. Se é que existe, foi obtido ilegalmente, e aí não vou ler. Mas se foi dado pelo Ministério Público, vou ler. Se tiver algo relacionado a mim, vou me manifestar no Brasil se for o caso – disse.

    Na agenda do ex-presidente Lula ainda constava um jantar com o presidente da Assembleia Nacional francesa, o socialista Claude Bartolone, na noite desta quarta-feira. Na manhã desta quinta-feira Lula viajará para Barcelona, onde receberá o Prêmio Internacional Catalunha 2012 pela política de crescimento econômico justo de seu governo frente à globalização, dotado de € 80 mil. À noite, o ex-presidente embarcará de volta para o Brasil.

    terça-feira, 4 de dezembro de 2012

    'Por onde ele anda, é ovacionado', afirma ministro em defesa de Lula


     
    FLÁVIA FOREQUE
    DE BRASÍLIA
     
    O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) defendeu nesta terça-feira (4) o governo do ex-presidente Lula e afirmou que a Operação Porto Seguro, que apura esquema de corrupção e tráfico de influência dentro do governo federal.
    Entre os investigados na operação estão Rosemary Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo, com quem Lula tinha uma relação íntima.
    "Não é o erro de uma ou de outra pessoa que vai atrapalhar esse projeto que está se consolidando como um projeto de um novo país, onde finamente os esquecidos e excluídos são lembrados, são cuidados. Isso não há campanha, não há erro de algumas pessoas que vai apagar", afirmou o ministro após participar de cúpula social do Mercosul, em Brasília.
    Alan Marques - 15.ago.12/Folhapress
    O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) durante evento no Palácio do Planalto
    O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) durante evento no Palácio do Planalto
    Segundo Carvalho, "o Brasil precisava passar pelo que está passando". O ministro destacou que o ex-presidente é "ovacionado" pela população - durante a cerimônia, foi exibido um vídeo com Lula em que ele lamentava a ausência no evento e defendia o bloco formado entre os países da América do Sul.
    "O povo brasileiro sabe o que o nosso governo realizou e está realizando. (...) Por onde ele anda, ele é endeusado, diferente de outros. Porque nós lutamos com amor pelo país.
    O ministro disse que o governo continua "de cabeça erguida". "Eu tenho um orgulho absoluto do presidente Lula."
    "Por onde eu ando, eu vejo o nosso presidente Lula reconhecido e amado pelo povo. Para mim isso é o que conta. É a nossa sintonia com o povo", disse.

    FHC
    Questionado sobre declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Gilberto Carvalho fez críticas à gestão tucana. Os dois têm trocado farpas diante da investigação da operação Porto Seguro.
    "Muito mais do que no passado, os erros vêm a tona. Aquilo que era colocado embaixo do tapete ou morria numa gaveta de uma procuradoria, agora não morre mais", alfinetou Carvalho. Para o ministro, agora a "corrupção velha" está aparecendo.
    "O governo dele não foi isso que ele está dizendo que foi." "Eu tenho respeito por ele, pela historia dele, [mas] não posso ter respeito pelos erros que foram cometidos no governo dele", completou.